“Me solicitaram dosagem do Hormônio Antimulleriano” – Pra que serve ?

O hormônio antimulleriano (AMH) foi descoberto em 1940, é uma glicoproteína e costuma ter seus níveis aumentados na puberdade e indetectáveis na menopausa.

Este hormônio é produzido pelas células da granulosa, que compõem os folículos pré-antrais e antrais pequenos.

O que isso significa ?

Significa que os folículos ovarianos antes de serem recrutados pelos ovários para seu amadurecimento, crescimento e posterior ovulação; eles produzem hormônio antimulleriano (AMH).

Sim. E daí ?

Dessa maneira é possível predizer a reserva de folículos ovarianos que as pacientes possuem, antes mesmo destes folículos crescerem e promoverem a ovulação. Dessa maneira o AMH pode mensurar a reserva ovariana, principalmente associado a realização de contagem de folículos antrais, através da ultrassonografia transvaginal.

Então, sempre que tiver um AMH alto, quer dizer que posso engravidar facilmente?

Não. É necessário uma avaliação individual do paciente, uma vez que mulheres com Síndrome do Ovário Policístico podem apresentar valores elevados de AMH e ainda assim apresentarem um quadro de infertilidade. Uma avaliação ampla da mulher deve ser realizada.

Resumindo :

  • AMH é coletado por amostra sanguínea.
  • Pode ser coletado em qualquer dia do ciclo para avaliação de reserva ovariana.
  • Associado a contagem de folículos antrais (CFA) pela ultrassonografia é considerado um importante preditor de reserva ovariana.
  • Pode ser considerado um importante marcador pra resposta ovariana ao tratamento de reprodução assistida, porém nem sempre é um preditor de taxa de gravidez em ciclos de FIV.
  • Na prática clínica, pode ser considerado valores de AMH de 1,0 ng/ml e 3,0 ng/ml  para a identificação de possíveis pacientes classificadas como pobre respondedora e hiper-respondedoras a estimulação ovariana controlada, respectivamente.
  • O AMH pode auxiliar na minimização de risco de Síndrome de Hiperstimulo Ovariano, através da elaboração de protocolos mais adequados, ou promovendo melhor resposta ovariana à estimulação ovariana controlada.

Ressalto a importância de consulta médica com especialista para individualização de casos e para elucidação de dúvidas sobre o tema.

Fonte : Tratado de Reproducão Assistida – SBRH – 3ª edição

Muito Obrigado

Dr.Igor Faria Dutra

 

O Diagnóstico de Câncer pode acabar com o sonho de ter filhos ?

No mês de outubro em todo mundo ocorre a campanha de conscientização para o diagnóstico precoce do câncer de mama – Outubro Rosa.

Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer),  o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos casos novos a cada ano.

Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. Estatísticas indicam aumento da sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. O autoexame de mama regular é o primeiro passo para combater essa doença tão prevalente no mundo.

Apesar de ser raro em mulheres jovens e em idade fértil, o tratamento do câncer de mama, como muitos outros câncer, costumam  ser tóxico para as gônadas (ovários nas mulheres e testículos nos homens), podendo levar a infertilidade, porém o sonho de ter filhos não deve ser encerrado neste momento.

Nesse sentido, além do diagnóstico precoce, a preservação da fertilidade deve ser realizada sempre, para mulheres em idade fértil.

E como pode ser realizada a preservação da fertilidade ?

  •  Congelamento de embriões
  • Congelamento de óvulos / sêmen ejaculado
  • Congelamento de tecido ovariano / tecido testicular (pré púberes)

Quando falo em congelar embriões e óvulos, significa dizer que a mulher deverá ser submetida a tratamentos de estimulação ovariana e posteriormente à punção de folículos ovarianos para coleta de óvulos. Todo este procedimento deverá ser realizado o mais breve possível e antes  do uso de drogas quimioterápicas (tóxicas para as gônadas), podendo ou não ser realizado após procedimentos cirúrgicos, conforme individualização de casos.

O Congelamento de tecido ovariano e testicular ainda não é amplamente realizado no mundo, porém vêm crescendo a cada ano e possui suas indicações muito bem especificadas.

Habitualmente a opção de congelar embriões é feita para mulheres e homens casados. Para mulheres jovens sem parceiros ou solteiras, o ideal é o congelamento de óvulos. Vale ressaltar que é necessário uma ampla discussão entre médico e paciente para definir a melhor forma de preservar a fertilidade.

Muito importante conversar com seu médico sobre a preservação da fertilidade. Hoje o câncer de mama quando diagnosticado precocemente têm altas taxas de cura, preservar a fertilidade também  é preservar a vida.

Muito Obrigado

Dr. Igor Dutra

Mioma e Infertilidade – O que devemos saber.

Importante estudo publicado pela revista científica Fertility & Sterility da ASRM, mostra que miomas uterinos, que não alteram a cavidade uterina, não levam a insucesso terapêutico na inseminação intra-uterina (IIU).

Abaixo segue um breve resumo traduzido do artigo:

´´Associação de miomas uterinos e resultados de gravidez após a estimulação ovariana (Inseminação Intra-Uterina)

Em mulheres com infertilidade sem causa aparente (ISCA), não foram observadas diferenças nas taxas de nascidos vivos naqueles com miomas uterinos que não distorcem a cavidade em comparação com aqueles sem miomas após estimulação ovariana – inseminação intra-uterina.

Um total de 102/900 participantes (11,3%) tinham pelo menos um mioma documentado e uma cavidade uterina normal. As mulheres com miomas eram mais velhas, tinham maior probabilidade de serem afro-americanas, tinham maior volume uterino, níveis séricos menores de hormônios antimüllerianos e menos folículos antrais do que mulheres sem miomas.  Não houve diferença nas taxas de concepção e nascidos vivos em indivíduos com e sem miomas.

Conclusão (ões)

Não foram observadas diferenças nas taxas de concepção e nascidos vivos em mulheres com miomas que não distorcem a cavidade e sem miomas. Esses achados fornecem tranquilidade de que o sucesso da gravidez não é afetado em casais com miomas que não causam distorção da cavidade submetidos a IU para infertilidade inexplicada.

Link do artigo: www.asrm.org

Esse artigo corrobora o conceito de que miomas que não levam alteração da cavidade uterina não devam ser abordados cirurgicamente com o propósito de aumentar chances de gravidez em mulheres submetidas a tratamento de reprodução assistida.

Para maiores dúvidas sobre o tema procure um médico especialista.

Obrigado

Dr. Igor Faria Dutra

Como o avançar da idade pode afetar sua fertilidade ?

A tabela acima mostra o importante decréscimo da taxa de fertilidade conjugal associado a idade da mulher. Esse gráfico resume estudos de 10 populações diferentes em diversos épocas, entre os séculos XVII e XX. Foi reproduzido pela ASRM em um guideline que aborda este assunto.

Com 20 semanas de gestação, o feto feminino possui o  número de oócitosque  pode chegar a  6-7 milhões . O número de oócitos diminui para aproximadamente 1-2 milhões ao nascimento; 300.000-500.000 na puberdade; 25.000 aos 37 anos de idade; E 1.000 na idade 51 anos, a idade média da menopausa nos Estados Unidos.

A fecundidade das mulheres diminui gradualmente, mas significativamente começando aproximadamente aos 32 anos e diminui mais rapidamente após os 37 anos, refletindo principalmente numa diminuição na qualidade do óvulo em associação com um aumento gradual no nível circulante do hormônio FSH e diminuições na circulação hormônio antiulleriano e Inibina B.

O declínio da fecundidade associado à idade é acompanhado por aumentos significativos nas taxas de aneuploidia e aborto espontâneo.

Mesmo para embriões morfologicamente normais selecionados para transferência em ciclos de FIV, a prevalência de aneuploidia é alta em mulheres de idade materna avançada. A taxa de perda fetal também é significativamente aumentada.

Taxa de aborto após 7 semanas de gestação em mulheres que conceberam durante FIV com transferência de embrião fresco :

  • 9,9% das mulheres menores de 33 anos
  • 11,4% para mulheres de 33-34 anos
  • 13,7% para mulheres de 35-37 anos
  • 19,8% para mulheres de 38-40 anos
  • 29,9% para mulheres de 41-42 anos
  • 36,6% para mulheres com mais de 42 anos

A fecundidade das mulheres diminui durante os anos reprodutivos principalmente por causa da atresia contínua dos oócitos e torna-se significativamente comprometida antes do aparecimento da irregularidade menstrual perimenopausa.

O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas e a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva fazem as seguintes recomendações:

  1. Educação e maior conscientização do efeito da idade sobre a fertilidade é essencial no aconselhamento do paciente que deseja a gravidez.
  2. As mulheres com mais de 35 anos de idade devem receber avaliação rápida e tratamento após 6 meses de tentativas fracassadas de engravidar ou mais cedo, se clinicamente indicado.
  3. Em mulheres acima de 40 anos, a avaliação e tratamento imediatos são garantidos.

Este texto foi traduzido do guideline da ASRM sobre o tema. Segue o link do artigo para acesso: www.asrm.org

Obrigado Dr. Igor Faria Dutra

Endometriose : A importância do diagnóstico precoce e Novos Tratamentos.

Em uma recente publicação na revista Sterility & Fertility da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), a Endometriose foi tema de revisão e comentário de especialistas.

O médico Robert F. Casper, da divisão de Ciências Reprodutivas da Universidade de Toronto, escreveu um relevante comentário sobre essa doença, que tanto afeta mulheres em todo mundo e impacta na qualidade de vida e no potencial de fertilidade.

Separei alguns importantes trechos da publicação que acredito que possa ser esclarecedor não só para especialistas, como pra população geral, principalmente pacientes que sofrem desse transtorno:

A endometriose é uma doença crônica de natureza heterogênea que está geralmente associada com dor pélvica e infertilidade. O adequado manejo clínico e o diagnóstico precoce são importantes pra previnir estágios mais avançados da doença, especialmente porque há dados que sugerem que o diagnóstico de endometriose é tipicamente adiado por 8 a 10 anos.

O padrão-ouro para o diagnóstico é a laparoscopia com biópsia e demonstração histológica do tecido endometrial ectópico. Um diagnóstico presumido de endometriose muitas vezes pode ser feito na história se o paciente tem sintomas clássicos, como dor com períodos que não são completamente aliviado por drogas anti-inflamatórias, dor que começa um ou dois dias antes do início da menstruação e dispareunia adquirida ou progressiva.”

“Um adequado manejo clínico deve ser iniciado uma vez que o diagnóstico presuntivo é feito. Na minha opinião,  esta medida poderia levar a prevenção de muitas das complicações posteriores que poderiam ocorrer com a endometriose, como endometriomas ovarianos, aderências e cicatrizes com uma pelve congelada. No entanto, uma vez que não há cura para endometriose, todos os tratamentos presentes envolvem a supressão de longo prazo da doença e pode ter efeitos colaterais. Portanto, um marcador não invasivo de endometriose, que poderia confirmar um diagnóstico presuntivo e evitar a necessidade de cirurgia seria tranquilizador para médicos e pacientes. Ahn et al. descreve esforços passados e presentes na busca para encontrar um marcador de diagnóstico não invasivo. “

As pílulas anticoncepcionais orais parecem ser eficazes porque evitarão a dismenorréia primária relacionada com a produção de prostaglandinas e, assim, aliviarão, pelo menos parcialmente, a dismenorréia em pacientes com endometriose. No entanto, as pílulas anticoncepcionais orais geralmente não eliminam a dor pélvica não menstrual ou outros sintomas da endometriose, como a dispareunia profunda. Assim, após o que parece ser uma melhora inicial, se a dor da endometriose persistir ou aumentar, em vez de passar para um tratamento médico efetivo ou para laparoscopia, uma pílula anticoncepcional diferente pode ser experimentada. Esta mudança de um comprimido contraceptivo oral para outro resulta em um atraso do diagnóstico, que é exatamente o que estamos tentando evitar no tratamento da endometriose. Acredito que as pílulas anticoncepcionais orais não deveriam mais ser usadas como tratamento de primeira linha para a dor da endometriose e devem ser substituídas pela terapia oral somente com progestógeno. Meu artigo discute isso em mais detalhes.”

“Meu artigo revisa por Bedaiwy et al. Descreve a eficácia e segurança do tratamento médico a longo prazo da endometriose usando apenas agonistas de hormônios progestagênicos ou hormônio liberador de gonadotropina (GnRH). Ambos os tratamentos estão associados a um grande número de dados demonstrando que eles podem eliminar completamente a dor, melhorar a qualidade de vida e reduzir o tamanho das lesões endometrióticas. Tanto o tratamento com progestágeno como os agonistas de GnRH são seguros para uso em mulheres de qualquer idade e são eficazes a longo prazo.”

“Associado à endometriose também suprimir a ovulação, eles são contraproducentes em relação à infertilidade. A este respeito, a cirurgia pode ter um lugar na melhoria da capacidade de concepção espontânea ou em casos muito graves de endometriose para tornar os ovários acessíveis para a fertilização in vitro. A cirurgia para endometriomas ovarianos requer atenção especial devido ao risco de potencial dano à reserva ovariana e à futura fertilidade.”
“A revisão  por Bedaiwy et al., explora o trabalho futuro no desenvolvimento de novos tratamentos para a endometriose. Alguns dos tratamentos atualmente em desenvolvimento são melhorias na terapia incluindo antagonistas de GnRH orais e moduladores seletivos de receptores de estrogênio ou progesterona. No entanto, especialmente à luz das questões de fertilidade relacionadas à endometriose, futuras terapias estão sendo pesquisadas para gerir os sintomas da dor sem suprimir a ovulação, ou melhor ainda que possa resultar em uma cura, em vez de apenas uma temporária supressão da endometriose. A este respeito, os imunomoduladores e agentes antiangiogênicos são de interesse.” 

Robert F. Casper, M.D. – Division of Reproductive Sciences, University of Toronto, Lunenfeld-Tanenbaum Research Institute, Mount Sinai Hospital; and TRIO Fertility, Toronto, Ontario, Canada

Acredito que essa leitura resume muito bem o conceito, tratamentos e principalmente desafios futuros da Endometriose.

Segue o link para a acesso ao texto na íntegra: http://www.fertstert.org/

Procure o médico para elucidar quaisquer dúvidas em relação ao tema.

Obrigado.

Dr. Igor Faria Dutra

 

 

Síndrome dos Ovários Policísticos e Infertilidade.

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é caracterizada pela associação de ovário policísticos e alterações  que incluem:

  • irregularidade menstrual,
  • o aumento de pêlos pelo corpo 
  • obesidade

A SOP é considerada a causa de infertilidade de origem ovulatória mais frequente. Alterações ovulatórias pode responder a 30 % das causas femininas para o insucesso da gravidez.

Vale ressaltar, que de forma global, os fatores femininos correspondem a 30%, fatores masculinos 30% e fatores mistos 40%  das causas para a infertilidade conjugal, .

O tratamento da infertilidade para a SOP ainda é tema controverso. Atualmente como primeira linha de tratamento está a indução da ovulação e aplicação de técnicas de baixa complexidade para alcançar a gravidez, como inseminação intra-uterina, coito programado e etc…(já comentado no blog).

Modificação do estilo de vida com redução de peso são medidas relevantes para o tratamento. Muitas mulheres usam a metformina corriqueiramente como forma terapêutica para a SOP, porém não é recomendado o uso universal desta droga, evidências científicas mostram benefícios apenas para mulheres que possuem resistência insulínica, que é determinada por uma avaliação médica e pela realização de exames laboratoriais específicos.

A consulta médica é imprescindível para determinar a melhor forma de tratamento e/ou identificar diagnósticos diferenciais para a SOP. Mas nunca se esqueça : Emagrecer sempre é o melhor remédio.

Obrigado

Dr. Igor Faria Dutra

Fonte: Sociedade Brasileira de Reprodução Humana – Tratado de Reprodução Assistida – 3ª edição.

Atualidade : Descoberto gene responsável pela Insuficiência Ovariana Primária.

Cientistas israelenses descobrem a alteração genética responsável pela insuficiência ovariana primária. 

A insuficiência ovariana primária é causada pela depleção de folículo ovariano ou disfunção folicular, caracterizada por não haver menstruação (amenorréia), associada com níveis elevados de gonadotrofinas. 

O distúrbio apresenta-se como ausência de progressão normal da puberdade.

Foi realizado o seqüenciamento genético completo em duas irmãs nascidas de pais consangüíneos de ascendência árabe-muçulmana-israelense. Apresentavam uma ausência de progressão normal da puberdade, altos níveis de gonadotrofina e ovários hipoplásicos ou ausentes no ultra-som. Amostras de sangue para extração de DNA foram obtidas de todos os membros da família

A análise revelou uma mutação homozigótica no gene SPIDR.

SPIDR é importante para a função ovariana em seres humanos. Uma mutação bialélica neste gene pode estar associada à disgenesia ovariana em casos de herança autossômica recessiva.

Texto traduzido do artigo publicado no The Journal Clinical Endocrinology & Metabolism.

Link do artigo

Obrigado.

Dr. Igor Faria Dutra