Inseminação Intrauterina e Coito Programado

Importante ressaltar que as duas técnicas  são consideradas de baixa complexidade.

Os fatores mais importante e determinantes para que os especialistas em reprodução humana recorram a  técnica de baixa complexidade, está relacionado a qualidade seminal ótima, com espermograma considerado normal e ausência de qualquer alteração anatômica de útero e trompas (tubas uterinas).

Em causas de infertilidade feminina, como anovulação crônica, que pode fazer parte da Síndrome do Ovário Policístico, técnicas de baixa complexidade podem ser uma importante ferramenta terapêutica.

Em algumas literaturas médicas a subinfertilidade masculina não é considerada contra-indicação para a técnica de inseminação intrauterina (IIU), porém, se trata de uma definição controversa.

Na teoria, a técnica de IIU pode permitir que um maior número de espermatozóides entre em contato com o óvulo. É feita a coleta do sêmen, e realizado o processamento seminal.

Dessa maneira permite que uma alta concentração de espermatozóides vivos e móveis, em um pequeno volume de meio de cultura, possa ser depositado no útero com auxílio de um cateter enquanto é feita a sincronização com a ovulação, em um ciclo natural ou com estimulação ovariana.

A IIU pode ser indicada em detrimento ao coito programado (CP) principalmente quando o fator cervical é a causa da infertilidade. Idade  e tempo de infertilidade também são determinantes para a melhor decisão terapêutica.

Importante lembrar que cada paciente possui suas particularidades e a consulta médica deve ser feita para elucidar quaisquer dúvidas sobre os tratamentos.

Obrigado.

Dr. Igor Faria Dutra

Suplementação com progestágenos no primeiro trimestre da gravidez pode prevenir aborto espontâneo de causa inexplicável.

Importante estudo publicado recentemente pela Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, analisou dez ensaios clínicos, incluindo 1.586 mulheres com aborto recorrente.

Os dados agrupados dos 10 ensaios mostraram que as mulheres com história de aborto involuntário inexplicado que foram randomizados para o grupo de progestágenos no primeiro trimestre e antes de 16 semanas, tiveram um menor risco de aborto recorrente  e maior taxa de nascidos vivos em comparação com aqueles que não fizeram o uso da medicação.

Não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes nos outros desfechos secundários, incluindo nascimento prematuro, mortalidade neonatal  e anormalidades genitais fetais.

Os resultados fornecem evidências de que a suplementação com progesterona pode reduzir a incidência de abortos recorrentes e parece ser seguro para os fetos. Maiores estudos são necessários para  recomendar a via e a dose da terapia com progesterona.

Nunca use medicamentos sem orientação médica. Procure seu médico e tire qualquer dúvida que tenha sobre o tema.

Obrigado.

Dr. Igor Faria Dutra

Fonte : www.fertstertdialog.com (link da publicação)

Notícia : Esboçado um caminho para formar bebês geneticamente modificados ?

Um relatório  das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA, autoriza cientistas a modificar embriões humanos com o intuito de eliminar doenças genéticas devastadoras, como anemia falciforme ou fibrose cística, para fins de pesquisa com critérios estritos.

Dada a série de questões científicas, éticas e legais que cercam o assunto,  conselheiros concluíram  que os cientistas ainda não deveriam realizar a edição de linhagens germinativas  e de embriões destinados a estabelecer uma gravidez. Mas eles decidiram que a alteração de embriões humanos no laboratório em prol da pesquisa básica era aceitável.

Fonte: http://www.nature.com (link da reportagem)

Texto traduzido da notícia publicada pela Nature.com

Obrigado.

Dr. Igor Faria Dutra

 

Atualidade : Descoberto gene responsável pela Insuficiência Ovariana Primária.

Cientistas israelenses descobrem a alteração genética responsável pela insuficiência ovariana primária. 

A insuficiência ovariana primária é causada pela depleção de folículo ovariano ou disfunção folicular, caracterizada por não haver menstruação (amenorréia), associada com níveis elevados de gonadotrofinas. 

O distúrbio apresenta-se como ausência de progressão normal da puberdade.

Foi realizado o seqüenciamento genético completo em duas irmãs nascidas de pais consangüíneos de ascendência árabe-muçulmana-israelense. Apresentavam uma ausência de progressão normal da puberdade, altos níveis de gonadotrofina e ovários hipoplásicos ou ausentes no ultra-som. Amostras de sangue para extração de DNA foram obtidas de todos os membros da família

A análise revelou uma mutação homozigótica no gene SPIDR.

SPIDR é importante para a função ovariana em seres humanos. Uma mutação bialélica neste gene pode estar associada à disgenesia ovariana em casos de herança autossômica recessiva.

Texto traduzido do artigo publicado no The Journal Clinical Endocrinology & Metabolism.

Link do artigo

Obrigado.

Dr. Igor Faria Dutra

 

Hidrossalpinge -Como pode afetar a fertilidade ?

 

O que é ?

A hidrossalpinge é a presença de líquido na tuba uterina, que se encontra obstruída em decorrência de infecção, endometriose ou até mesmo cirurgias prévias.

Como descubro se tenho hidrossalpinge  ?

O melhor exame para diagnosticar a hidrossalpinge é a ultrassonografia transvaginal, podendo existir suspeição da doença com a histerossalpingografia (radiografia contrastada do útero e das tubas uterinas).

Como a hidrossalpinge afeta minha fertilidade ?

A hidrossalpinge se insere no grupo das alterações turbarias que são responsáveis por 25 a 35% dos casos de infernalidade feminina. Além disso, estudos mostram que essa patologia tubária está relacionada também a um aumento nas taxas de abortamento, gravidez ectópica, insucessos em tratamentos de reprodução assistida, com menor taxa de implantação embrionária na FIV. 

Qual tratamento ? 

Hoje, o que é mais recomendado, pelas sociedades médicas de medicina reprodutiva em grande parte do mundo, para mulheres inférteis com hidrossalpinge é a remoção cirúrgica das tubas comprometidas, idealmente antes de iniciar qualquer técnica de reprodução assistida (FIV/ICSI) com o objetivo de aumentar taxas de implantação e gravidez.

Outros tratamentos já foram realizados como o uso de antibióticos, aspiração do liquido, abertura cirúrgica(salpingostomia) ou até mesmo a oclusão completa da tuba com uso de clipes cirúrgicos,  porém não tiveram evoluções favoráveis e/ou ainda se fazem necessários maiores estudos pra comprovar a eficácia no tratamento.

Conclusão

A hidrossalpinge não só pode justificar um infertilidade feminina, como pode piorar os resultados de tratamentos de reprodução assistida. Sempre importante que consulte seu médico para elucidar qualquer dúvida em realação a doença e seu tratamento.

Obrigado.

Dr. Igor Faria Dutra

Fonte: Tratado de Reprodução Assistida – Sociedade Brasileira de Reprodução Humana – 3ª edição.

Notícia : Gel Contraceptivo Masculino – Fim da vesectomia no futuro ?

Foi noticiado pelas agências de notícias, BBC e  Daily Mail, que pesquisas com um novo tipo experimental de contraceptivo masculino, que bloqueia o fluxo de esperma com um gel, tem sido bem sucedido em pesquisas com macacos.
Vasalgel®  atua como uma barreira física uma vez injetado nos tubos (ductos deferentes) onde o espermatozóide poderiam nadar até o pênis.
A empresa por trás disso diz que foram  dois anos de pesquisa. O estudo foi publicado na revista científica Basic and Clinical Andrology, onde  mostra que o gel funciona e é seguro – pelo menos em primatas.

Os pesquisadores da Universidade da Califórnia testaram o gel em 16 macacos machos adultos, 10 dos quais já eram pais. Os macacos foram monitorizados durante uma semana após a injecção e foram então libertados de volta para o seu recinto para se juntarem a algumas fêmeas férteis. Ocorreu acasalamento, mas nenhum dos macacos fêmeas ficou grávido ao longo do estudo, que incluiu dois períodos de reprodução completos para alguns dos animais.

Espera-se ter bastante evidência para começar testes nos homens dentro de alguns anos.
Seria o primeiro novo tipo de contraceptivo masculino para chegar ao mercado em muitas décadas.

A grande dúvida seria: – isto pode significar o fim da vasectomia no futuro ? Imagino que para termos essa resposta, maiores estudos precisam ser realizados, principalmente, avaliando a possibilidade de reversão do método com eficácia.

P.S.: Parte deste texto foi traduzido do site da BBC.

Obrigado.

Dr. Igor Faria Dutra

Fonte: www.bbc.com e www.dailymail.co.uk

A contracepção hormonal combinada e o risco de tromboembolismo venoso.

No último ano a ASRM – Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva – publicou um ”guideline”com algumas recomendações para prevenção de trombose em mulheres que usam contraceptivo hormonal combinado.

O tromboembolismo venoso (TEV) refere-se à formação de um coágulo sanguíneo numa veia profunda e é uma causa de morte rara, mas potencialmente evitável, em mulheres em idade reprodutiva.

Os fatores de risco comuns para TEV incluem hipercoagulabilidade e lesão vascular. A gravidez e o período pós-parto, em particular, estão associados a um risco aumentado de TEV em comparação com o estado não gravídico.

Em geral, parece que os contraceptivos hormonais combinados (CHCs) estão associados a um risco aumentado de TEV em comparação com o não uso, mas esse risco ainda é menor do que o risco na gestação e parece diminuir ao longo do tempo.

RECOMENDAÇÕES:

  • A alta dose de contracepção oral (> 50mg) é associada a maiores riscos de TEV que as fórmulas de dose mais baixa. (Grau B)
  •   Não há evidência confiável de que doses de Estrogênio < 35 mg tenham menos risco de TEV do que formulações de 35 mg. (Grau B)
  •  Anticoncepcional oral combinado com drospirenona ou progesterona de 3ª geração  tem um risco ligeiramente maior de TEV quando comparadas com as que contêm noretindrona ou levonorgestrel. (Grau B)
  •  Não existem provas de que o adesivo anticoncepcional ou o anel vaginal contraceptivo tenham um risco diferente de TEV em comparação com os COCs.(Grau C)
  •  Tabagismo, idade (> 35 anos), obesidade, hipertensão e a presença de trombofilias hereditárias aumentam o risco de eventos trombóticos no cenário de uso de CHC. (Grau B)

Importante ter  acompanhamento médico e seguir orientações quanto ao uso do anticoncepcional ideal para cada paciente.

P.S.: Entendendo os graus de recomendação : A- Há boas evidências para apoiar a recomendação./ B – Evidências razoáveis para apoiar a recomendação. C -Evidências insuficientes, contra ou a favor. / D – Evidências para descartar a recomendação.

Parte dese post foi traduzido da publicação da ASRM (Link da publicação )

Obrigado.

Dr. Igor Faria Dutra